O universo condominial, com sua rotina de demandas e o peso da produtividade, esconde riscos invisíveis que afetam diretamente a saúde mental dos colaboradores. Com a atualização da Norma Regulamentadora número 1 (NR-1), a saúde mental se tornou, finalmente, uma pauta central obrigatória para síndicos e administradores. O Cadê o Síndico Podcast, em uma entrevista completa, convidou o engenheiro de segurança do trabalho Cleiber Lopes e a psicóloga Lulu Cirne para desvendar esse tema.
A urgência da saúde mental no trabalho
Segundo dados alarmantes da Organização Mundial da Saúde (OMS), a depressão e a ansiedade resultam na perda de bilhões de dias de trabalho anualmente, com um custo global de quase 1 trilhão de dólares. No Brasil, episódios depressivos e transtornos de adaptação já figuram entre as principais causas de afastamento do trabalho, superando lesões físicas. Essa estatística, que se intensificou no período pós-pandemia, é o principal motor por trás da atualização da NR-1, que agora aborda com maior rigor os riscos psicossociais.
Lulu Cirne
Psicóloga
Identificando sinais de alerta
Em um discurso direto e didático, Lulu Cirne compara a situação do trabalhador com a de uma criança na escola: um baixo rendimento é apenas um sintoma. A psicóloga explica que, no dia a dia do condomínio, a irritabilidade, o isolamento, a dificuldade de dormir e a queda na produtividade são sinais claros de que algo não vai bem. "Se um colaborador está sempre reclamando que não dorme direito, se irrita com facilidade, se isola... todos esses sinais são de que algo não está bem com aquele trabalhador", afirma Lulu, reforçando que ignorar esses sinais pode levar a um clima de trabalho negativo e, consequentemente, a afastamentos.
O papel do síndico e a legislação
Cleiber Lopes explica que a nova NR-1, em vigor desde maio de 2025, integra o gerenciamento dos fatores de riscos psicossociais ao Programa de Gerenciamento de Risco (PGR). O engenheiro enfatiza a importância de um mapeamento de riscos, que deve identificar questões como sobrecarga de trabalho, assédio moral e sexual, e outras fontes de estresse. Ele alerta que, a partir de agora, as notificações e multas para empresas (e condomínios) que negligenciarem a norma começarão a chegar.
A falta de um ambiente de trabalho saudável não só prejudica a equipe, mas também coloca a gestão em risco. A falta de PGR ou sua implementação incorreta pode levar a processos trabalhistas e problemas legais.
Cleiber Lopes
Engenheiro de segurança do trabalho
O segredo para um ambiente saudável
Para os especialistas, a chave para um ambiente de trabalho saudável é a comunicação e a capacitação. Lulu Cirne defende que, quando a comunicação não flui, o ambiente se torna tóxico. Já Cleiber Lopes menciona que líderes e gestores precisam de capacitação para identificar problemas e evitar pressões desnecessárias que levam ao adoecimento. Afinal, a saúde de um condomínio começa com a saúde de seus colaboradores.
Cleiber Lopes
Engenheiro de segurança do trabalho
Quer aprofundar seus conhecimentos em gestão condominial e outros temas essenciais?
Não perca os próximos episódios do Cadê o Síndico PodCast! Acompanhe-nos para mais conversas valiosas com especialistas e insights que vão revolucionar a sua forma de gerir um condomínio.
Categorias
Publicidade
© 2020 Cade o Sindico Todos os direitos reservados.