Reduzir o desperdício de água, separar o lixo corretamente, criar hortas comunitárias, instalar sensores de presença para economizar energia nas áreas comuns. O que parecia modismo virou pauta obrigatória nas assembleias de condomínio. E por boas razões: além do impacto ambiental, as práticas sustentáveis geram economia real na conta do condomínio e valorizam o imóvel.
“A sustentabilidade em condomínios não exige grandes obras nem investimentos impossíveis. Ela começa pela mudança de comportamento e por escolhas simples, como usar produtos de limpeza biodegradáveis nas áreas comuns, fazer a gestão correta dos resíduos e preservar a permeabilidade do solo nos espaços externos”, explica a bióloga Mariana Nunes, especialista em gestão ambiental urbana. Segundo ela, condomínios que adotam práticas sustentáveis contribuem diretamente para a redução das ilhas de calor nas cidades, para a preservação dos lençóis freáticos e para a diminuição do volume de resíduos enviados aos aterros sanitários. “Cada condomínio é uma pequena comunidade. Quando essa comunidade age de forma consciente, o impacto se multiplica pelo entorno inteiro”, afirma.
Mariana também chama atenção para a importância de envolver os moradores no processo. “Um programa de sustentabilidade imposto de cima para baixo raramente funciona. O ideal é criar comissões, promover palestras educativas e mostrar, com dados concretos, os resultados que as ações estão gerando. Transparência engaja”.
Mariana Nunes
Bióloga e especialista em gestão ambiental urbana
Esse engajamento é exatamente o que move a empresária Monique Pereira, moradora de um condomínio em Salvador que nos últimos dois anos implementou coleta seletiva, compostagem e reaproveitamento de água da chuva para irrigação das áreas verdes. “No começo havia resistência de alguns moradores, mas quando os resultados apareceram na redução da taxa condominial e nos espaços mais bonitos e cuidados, todo mundo passou a apoiar”, conta. Monique integra voluntariamente o grupo de sustentabilidade do condomínio e ajuda a organizar os mutirões de plantio e as campanhas de conscientização. “Moro aqui, meus filhos crescem aqui. Cuidar desse espaço é cuidar da nossa qualidade de vida”.
Para especialistas como Mariana Nunes, o exemplo de Monique mostra que sustentabilidade condominial não depende de legislação depende de liderança, informação e vontade coletiva. Três ingredientes que todo condomínio tem condições de cultivar.
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