A história se repete, solicitações diárias ao síndico e ao administrador do prédio. Comentários, sugestões e pedidos, mas quando chega a hora da assembleia, os moradores de sempre participando e tomando decisões.
Nas assembleias de rotina é sempre a mesma quantidade e as mesmas pessoas que fazem parte, e isso se torna um problema, pois termina moldando o condomínio ao que esse grupo define. “Os moradores me encontram pelo prédio e comentam diversas coisas que gostariam de melhorar, aí marcamos a assembleia para tratar dos temas, e sempre são os mesmos que fazem parte, e o grupo que não comparece reclama do que foi decidido”, conta o síndico Raphael Ferreira.
A síndica profissional, Mylla Souza, explica que já inicia a próxima assembleia no encerramento da anterior. “Como já tenho um cronograma previsto das assembleias dos condomínios, ao finalizar uma, já informo a data prevista para a próxima, bem como a previsão de alguns assuntos que serão abordados. No decorrer do período entre uma e outra, à medida que os condôminos me procuram ou fazem alguma reclamação/sugestão, se for pertinente, dou retorno e já informo que o assunto do seu interesse, será um dos temas da próxima assembleia”, contou Mylla.
Mylla Souza
Síndica profissional
A síndica profissional Mylla Souza, conta que uma abordagem que ela pratica é, a cada contato com algum morador, sempre fala da próxima reunião. “E finalizo esse processo de convocação e conscientização quando, cerca de 15 dias antes, começo a reforçar a comunicação através de listas de transmissão, de grupos de comunicação, de aplicativos das administradoras, grupo de conselho, etc. Os moradores mais participativos, mantenho um contato mais pessoal. Cada condomínio tem um perfil e procuro adequar essa comunicação a cada um deles”, revelou Mylla.
Diversos motivos levam os condôminos a não participarem das assembleias. “Alguns não querem participar de debates ou qualquer desgaste maior que possa envolver ele e seus vizinhos. Outros, querem apenas pagar e saber como foi resolvido. Muitos, realmente confiam nas orientações dos seus síndicos. Porém, cito como o maior motivo que tenho observado é o fato de que os moradores só comparecem quando algum assunto é do seu interesse. Por isso que sempre estou fazendo esse trabalho, para que possam estar e debater mesmo quando o assunto não seja do seu interesse pessoal e sim, de toda uma coletividade”, conta Mylla.
Mas, mesmo tendo assunto de interesse, muitos faltam confiando que a decisão na assembleia será pelo que os moradores conversam pelo condomínio ou nos grupos do WhatsApp, e nem sempre é assim que funciona. Isso aconteceu recentemente em um condomínio que tem uma área de SPA que estava com a banheira de hidromassagem e a sauna quebradas.
“Ninguém sentia falta de usar o local, com isso alguns moradores solicitaram uma mudança no espaço para algo com mais utilidade. Marquei uma assembleia e levamos a situação. Os presentes votaram por consertar o local e os que não estavam presentes ficaram chateados pois queriam a mudança. Minha proposta foi anotar a frequência de uso do espaço em 6 meses, analisar o uso e assim, propor uma nova assembleia alertando aos interessados a fazerem parte da reunião para que os interesses sejam atendidos”, contou Raphael.
A maior prova que o estímulo à participação enche as assembleias, foi a situação que aconteceu recentemente em um condomínio em Salvador. “Uma moradora foi morar no exterior e resolveu disponibilizar sua unidade para o AirBnb. Passamos a ter pessoas estranhas regularmente no condomínio, alugando a unidade por 5, 6 dias. Além de não respeitarem o barulho, o limite de pessoas no apartamento e até mesmo passando mais dias no local do que foi contratado. Ao consultar nosso regimento, me deparei com o item “Pensão”, que trata de hospedagem por diária e fins comerciais. A sugestão foi alterar para “Locação por Temporada”, estipulando um prazo mínimo de 90 dias, ou como a assembleia sugerir, conforme vem sendo praticado em outros condomínios. Eu vi ali uma situação de segurança, deixando o condomínio vulnerável, e precisava fazer uma assembleia urgente”, contou Raphael.
Raphael Ferreira
Síndico
Como nessa situação era necessário o voto de 2/3 dos moradores, foi necessário utilizar uma estratégia. “O WhatsApp é um grande aliado para troca de informações, eu como síndico e morador mostrei a preocupação em alterar este item, e como isso poderia causar um problema maior no futuro. Além de que, com o voto on-line, as pessoas podem se identificar e votar rapidamente, ocupando um tempo curto do tempo, pois uma coisa é condomínio de veraneio, que tem a rotatividade alta, mas num condomínio residencial, a situação muda de configuração. Os moradores ficaram preocupados e participaram ativamente da reunião, votando pela mudança do regimento”, disse o síndico.
Além disso, uma estratégia que é comum e tão esperada nas assembleias de alguns condomínios é o coffee break. “Eles já sabem que irei organizar e levar um delicioso coffee break, incluindo guloseimas para as crianças e um maravilhoso cafezinho”, revelou Mylla.
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