17/07/2014

Atitudes simples e grandes efeitos!

Por Carla Brayner

Como implantar a coleta seletiva no seu condomínio

Os conceitos de reciclagem e coleta seletiva fazem parte do hábito da maioria da população. Mesmo quem não separa os diferentes tipos de resíduos em suas residências, já devem ter utilizado o serviço em áreas públicas e comerciais. A questão é implantar a coleta seletiva no condomínio residencial, e estimular os moradores e funcionários a praticarem esta ação. 

Em 2010, o Brasil aprovou a Política Nacional de Resíduos Sólidos, que procura organizar a forma como o país trata os resíduos sólidos, incentivando a reciclagem e a sustentabilidade. Com a aprovação da política, foi elaborado o Plano Nacional de Resíduos Sólidos, que entrará em vigor em agosto deste ano, causando algumas transformações no país, como por exemplo, a eliminação de lixões a céu aberto e a proibição de lançamento dos lixos reciclados nos aterros sanitários. 

Atualmente, de acordo com João Resch Leal, titular da Diretoria Geral de Ecologia Urbana da Secretaria de Cidade Sustentável (SECIS), a cobertura da coleta seletiva em Salvador é muito incipiente: “A Prefeitura Municipal está desenvolvendo um Programa Municipal de Coleta Seletiva que tem como objetivo consolidar e ampliar a coleta seletiva no município, em consonância com os princípios da Política Nacional de Resíduos Sólidos, implementando ações integradas de logística de coleta, apoio as cooperativas de catadores, inclusão social e econômica dos catadores desorganizados, campanhas de mobilização social e educação ambiental para a melhoria da qualidade do meio ambiente urbano”. 

 “A Limpurb tem parceria com as cooperativas de Salvador. São 17 cooperativas ao total. Elas atuam de forma independente. Então, o cidadão que desejar fazer a coleta seletiva e doar para essas cooperativas, deve entrar em contato com uma delas. Consideramos a cidadania um ponto muito importante quando se fala de coleta seletiva. Ela deve começar em casa, de forma simples. Se cada cidadão fizer sua parte, a coleta de lixo em Salvador irá melhorar sensivelmente e a vida útil dos aterros sanitários também”, informou a Assessoria de Comunicação da Limpurb. 

Em locais públicos, a separação dos materiais é feita por meio de lixeiras diferenciadas por cor, que indicam quais os materiais reci­cláveis devem ser descartados. “Em casa, a mecânica é simples. É preciso separar os dois tipos de resíduos: o seco e o orgânico. O orgânico é composto de restos de comida, frutas, legumes e verduras, etc. O material a ser recolhido pela coleta seletiva é o lixo seco, ou seja, tudo que é reciclável como, por exemplo, jornal, revista, garrafa pet, garrafa de vidro, pneus, rolha de vinho e óleo usado. É importante lembrar que todos esses itens devem estar limpos para garantir a qualidade do produto. Materiais como papel higiênico, embalagem metalizada e papeis engordurados, não são recicláveis”, explicou Márcia Menezes, artesã que trabalha com materiais reciclados e é sócia da Salve Terra, loja de roupas que comercializa produtos incentivando a conscientização ambiental e social.

Exemplo de implantação

Cléber Adriano de Azevedo, subsíndico do Condomínio Serra do Mar Residencial Club, e conselheiro executivo do Fórum Jardim de Armação, é um entusiasta de modos de vida sustentáveis e implantou a coleta seletiva em seu condomínio. “É muito simples o funcionamento. Apenas precisamos ter um pouquinho de disciplina”, informou Cléber.

“Primeiramente, fizemos um acordo com a cooperativa CooperBariri para re­co­lher o material re­ciclado. Em seguida, coloca­mos avisos em elevadores, solicitando que cada condômino faça a separação do lixo comum do reciclado na própria residência. Por fim, o condômino deixa os lixos em uma área específica na garagem. Tínhamos muitos baldes azuis para o descarte do lixo comum, pintamos alguns de branco, e destinamos ao lixo reci­clável. Depois, são transportados para a casa de lixo para que a Limpurb e a Cooperativa Bariri façam suas coletas”, informou Cléber.

“Temos uma expectativa muito grande com o Serra do Mar Residencial Club, pois começamos o trabalho há pouco tempo, e os responsáveis e os moradores estão colaborando. O resultado vem com o tempo”, disse Elias Junior, membro da cooperativa Bariri, que conta com 17 cooperados e mais de 50 catadores, além de um cami­nhão cedido pela Limpurb e doações de empresas privadas.  

Atualmente, foi identificado que cerca de 80% do lixo do Serra do Mar Residencial Club é reciclável. “Isso significa que se todos fizerem a separação em casa, o aterro sanitário do município terá sua vida útil aumentada em cinco vezes. Sem falar da economia de matéria prima e recursos naturais que seriam reaprovei­tados”, disse o subsíndico. 

Quando os resíduos chegam  na cooperativa, todo o material é separado, pois cada um tem um determinado valor e especificação. “Separamos cada material. Depois, tudo é vendido para empresas privadas”, informou Elias. 

De acordo com a artesã Márcia Menezes é possível transformar os materiais reciclados em diversos produtos úteis. “Com a garrafa pet pode-se produzir tecido, vassoura e embalagem; o óleo usado pode ser transformado em sabão líquido e sabão em pedra; os pneus usados podem servir para a produção de pufes, pisos, cadeiras e sandálias”, informou Márcia que trabalha com óleo usado para a produção de sabão, garrafa pet e papelão para a produção de embalagens e acessórios femininos, lona de banner para fazer bolsas e pneus para a criação de lindos pufes comercializados na Loja Salve Terra.

Implantar a coleta seletiva significa preservar a natureza, um dos maiores problemas urbanos atualmente é a geração excessiva de resíduos. Para implantar a coleta seletiva, é necessário a sensibilização e o engajamento dos moradores para que haja de fato uma ação que se multiplique por todo condomínio, é importante a formação de um grupo de moradores para acompanhamento do processo. Entre em contato com a SECIS para se informar sobre as cooperativas próximas a seu bairro para doação dos materiais recicláveis. 



 

Tags: Coleta Seletiva  Limpurb  Sustentabilidade  

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