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23/03/2013

Individualização ajuda a reduzir o consumo de água

Por Indira Naiara

O desejo de pagar uma conta de água mais justa tem feito com que diversos condomínios adotem o sistema de medição individualizada
 
O desejo de pagar uma conta de água mais justa tem feito com que diversos condomínios adotem o sistema de medição individualizada. Dados da Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa) informam que, até primeiro de julho de 2010, 463 condomínios, mais de sete mil unidades, já aderiram ao sistema. 
 
O sistema de medição coletiva desagrada grande parte dos condôminos. Além de considerarem injusto o rateio do valor das contas entre os moradores, esse modelo faz com que todos os condôminos, mesmo os adimplentes, sofram com as sanções da Embasa quando a conta não é paga. É o caso do empresário Renato Filho, morador do Edifício Rosa, ele afirma que teve a água cortada e o seu prédio passou um mês sendo abastecido por carro pipa. A alta taxa de inadimplência provocou a interrupção do fornecimento por falta de pagamento e os moradores que pagam em dia, como é o seu caso, tiveram de conviver com os transtornos da falta de abastecimento. 
 


Na tentativa de solucionar esse problema, os moradores do Edifício Rosa decidiram parcelar a dívida com a Embasa e iniciaram o processo de individualização de água. “No meu prédio a conta de água representa mais da metade do custo total. Com a individualização, vou pagar o consumo gerado em minha residência e não a média de consumo de todas as unidades. Como as pessoas vão pagar pelo que consomem, vai haver redução do desperdício. Além disso, o sistema proporciona uma redução muito grande na conta do condomínio e os recursos que sobrarem poderão ser investidos na melhoria do prédio”, afirma Barbosa. 

 
“Estou em campanha pela individualização, tenho conversado com os proprietários dos apartamentos, tentando convencê-los de que é um sistema mais justo, que vai evitar o corte para as pessoas que pagam em dia”, afirma a também moradora do Edifício Rosa, Adeni Alves. A empresa contratada pelos condôminos - depois de aprovar a decisão em Assembléia - para fazer a individualização foi a WK.
 
Condôminos que já realizaram a individualização dos hidrômetros em seus condomínios estão bastante satisfeitos com os resultados. O síndico do condomínio Porto Belle, Edilson Gouveia, é um exemplo. Ele diz que a decisão sobre a individualização foi tomada quando todos os apartamentos do condomínio foram ocupados.  “O Porto Belle tem 11 apartamentos e quando todos eles foram ocupados a conta de água ficou em torno de R$ 2.000, um valor muito alto para ser dividido entre os condôminos. Nossa primeira conta individual só chega em agosto, mas tenho certeza que vamos economizar e que o valor investido na obra será recuperado rapidamente”, expõe. 
Além de possibilitar que cada condômino pague somente o valor da água que realmente consome, o sistema de medição individualizada traz outras vantagens, como redução da inadimplência, do desperdício e ainda ajuda a detectar vazamentos mais rapidamente. Maria José, que é síndica do condomínio Cristal, informa que após a individualização muitos moradores descobriram que tinham vazamento de água em seus apartamentos. Ela, que desde abril deste ano já recebe a conta individual, afirma que está muito satisfeita com a individualização, pois como mora so­zinha não achava justo ter que pagar o mesmo valor que os outros apartamentos com maior número de moradores.
 
No entanto, antes de aderir ao modelo com hidrômetros individuais, é necessário que o síndico convoque uma assembleia geral para apresentação da ideia. Para que a Embasa dê início ao processo de implantação, a assessora de marketing da empresa, Lícia Freitas, diz que é necessário ata re­gistrada em cartório de títulos e documentos, com dois terços de assinaturas dos condôminos; termo de adesão e compromisso, com 100% de assinaturas, e ficha cadastral, preenchida e assinada por 100% dos condôminos.
 
Depois de tomada a decisão de contratar os serviços, o síndico deve procurar uma empresa habilitada para a obra, que conheça o padrão exigido pela concessionária, tenha inscrição no CREA (Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia) e Certificação pela UFBA (Universidade Federal da Bahia). 
Para obter mais informações os interessados devem ligar para 0800 0555 195 ou participar do programa Aprendendo a Usar, que acontece sempre na última terça-feira do mês, na Embasa do Rio Vermelho (Avenida Juracy Magalhães). 
 
O padrão adotado pela Embasa determina que condomínios verti­cais com até quatro pavimentos (térreo mais três andares) e horizontais, com até 30 unidades, podem usar o hidrômetro comum. Já aqueles que ultrapassam esse número devem adotar o sistema de leitura remota através de hidrômetros com saída pulsada, permitindo que a leitura seja feita à distância, através de um concentrador de leitura instalado na entrada do prédio. Lícia Freitas afirma que caso o projeto não atenda a esse padrão, a Embasa não implantará a individualização. 
De acordo com o gestor de projetos da empresa WK, Tadeu Andrade, o custo da obra varia de acordo com o tipo de ligação. “Se for usado o hidrômetro analógico, a obra custa de R$ 700 a R$ 750, com o hidrômetro digital ela passa a custar de R$ 1.000 a R$ 1.200 por apartamento”, informa. 
 
Apesar de ser uma obra cara, quem fez a individualização há mais tempo garante que o retorno é muito rápido. “Meu prédio tinha uma taxa de condomínio muito alta e isso por causa da conta de água. Fizemos a individua­lização há dois anos e no terceiro mês já tínhamos recuperado o dinheiro investido. Antes da obra pagávamos uma taxa de R$ 550 sendo que, desse valor, R$ 200 era para pagar a conta de água. Hoje a nossa taxa de condomínio é de R$ 370”, exalta o síndico do edifício Guanabara, Gedeão Eustáquio.  
 
Com relação ao tempo de duração da obra, ele varia conforme o tamanho do condomínio. “Quando começa o serviço a WK tem como meta concluir um apartamento por dia, caso seja incluído o acabamento, além da instalação do hidrômetro, levamos dois dias em cada apartamento”, diz.  
 
Novos prédios são obrigados a instalar hidrômetros individualizados
 
Em 23 de dezembro de 2009 foi sancionada pelo prefeito João Henrique a Lei nº 7.780/2009, conhecida como Lei do Hidrômetro. A lei de autoria do vereador Gilmar Santiago (PT) determina que as novas edificações da capital só terão seus projetos aprovados pela Prefeitura, caso apresentem hidrômetros individualizados para cada unidade. 
 
O vereador afirma que a aprovação dessa lei é muito importante, pois além de permitir que o condômino pague uma conta de água mais justa, ela ainda estimula o consumo racional. “Estudos afirmam que medidores individuais em condomínios proporcionam uma redução de 30% no consumo de água. Então, a aprovação dessa lei não vai permitir apenas que os condôminos economizem di­nheiro, mas também que preservem um bem essencial para a vida do nosso planeta” afirma o vereador.  
 
De acordo com Santiago, a Superintendência de Controle e Ordenamento do Uso do Solo (Sucom), junto com a Embasa, são responsáveis pela fiscalização do cumprimento da Lei do Hidrômetro. 


 
 

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