29/03/2013

Controle de Cupins em condomínios

Por Danilo Roriz
 

Uma invasão sorrateira, quase sempre só perceptível quando já afetou um mobiliário em algum apartamento, seja qual for o andar. Assim vemos a maioria dos casos de infestação por cupins de solo, conhecidos por formar um túnel, por onde trafega a colônia em busca do alimento, que é a madeira ou materiais celulósicos. O cupim é sem dúvida a praga que ocasiona os maiores danos materiais, causando só nos Estados Unidos um prejuízo estimado de US$ 750 bilhões por ano.  
 
Apesar de haver mais de 2.800 espécies de cupins catalogadas, didaticamente pode­mos dividi-los em dois grupos distintos: os cupins de solo e os de madeira seca, que não formam caminhos e são conhecidos por liberarem “bolinhas” (seus dejetos) das peças atacadas. Diferentemente des­tas espécies que deixam um montinho de grãos e cujo tratamento deve ser focal, com produtos pe­netrantes e restritos à madeira atacada, o controle dos cupins de solo deve ser com produtos de baixo impacto e totalitário, ou seja, a edificação toda deve ser inspecionada e tratada, pois é ela que está sob ataque via ascensão subterrânea.  
 
“Perdi parte de um armário novo de cozinha e descobri junto com a empresa controladora que o foco estava a dois andares de meu apartamento e no telhado do prédio, onde foram localizados vários ninhos”, afirma Ricardo, morador de um condomínio de prédios no Cabula, cujo controle envolveu também o tratamento de árvores próximas ao edifício, todos os apartamentos do prédio e as áreas comuns. 
 
A aplicação de cupinicidas que são vendidos livremente em mercados no interior das trilhas dos cupins de solo mata os indivíduos atingidos pelo spray, porém, não acaba com a colônia. O caminho pode ser destruído, entretanto, a colônia se mantém intacta, saindo carreiros em outros pontos. Para se obter sucesso total, o produto utilizado não deve ser irritante e de odor ativo. 
 
Os cupins de solo têm estrutura social organizada e seu controle adequado depende da aplicação de cupinicidas de última geração nas tri­lhas ou diretamente no ninho, com o intuito de lentamente e por efeito dominó atingir o casal real, rei e rainha, sem que a colônia perceba a contaminação. Como o ninho ou os ninhos podem estar em qualquer local do prédio, como em forros, interior de paredes, solo, árvores ou apartamentos, um produto que seja levado até o casal real, sem que outros membros da sociedade percebam o veneno, é a arma mais eficaz para o extermínio da infestação. 
Essa tecnologia já existe e está disponível nas me­lhores empresas. A morte dos cupins só é percebida depois de dias, levando ao cliente num primeiro momento a falsa impressão de que não houve efeito algum, porém, pela interação social desses insetos, toda a colônia é contaminada sem perceber.  Como proteção, a forma mais eficiente de evitar uma reinfestação é a aplicação de calda cupinicida ao redor da edificação ou em pontos estratégicos, através da técnica de barreira química, que injeta o produto a 30 cm de profundidade, em o­­rifícios de 5 a 10 cm de distância na base de prédios ou ao longo dos muros. 
 
Assim, o síndico que observar sinais de infestação por cupins de solo em seu condomínio deve ficar atento, pois, o controle eficiente dependerá da contratação de uma empresa especia­lizada que aplique a técnica adequada e garanta os resultados por no mínimo um ano. Devido ao grande número de empresas e pessoas na ilegalidade que oferecem estes serviços, ao solicitar uma proposta orçamentária de uma empresa do ramo, insista na visita de um técnico de formação superior no assunto, desconfiando sempre de cotações muito abaixo do mercado.

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Danilo Roriz (médico veterinário CRMV BA 2262) - Especializado em controle de pragas urbanas. responsável técnico e consultor de empresas de controle de pragas urbanas, atuou no Centro de Controle de Zoonoses de Salvador por oito anos, onde coordenou o Programa de Controle de Roedores. Tel. (71) 9127-9516. danilofreireroriz@yahoo.com.br

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