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12/07/2016

De quantos elevadores um edifício precisa?

Por: Vandilson Alves

Um bom sistema de mobilidade vertical é essencial para o sucesso de um empreendimento imobiliário. Quem já não se irritou ou se atrasou para compromissos aguardando em longas filas para usar o elevador? Poucos sabem (até mesmo algumas construtoras) que a quantidade de elevadores deve seguir a norma técnica da ABNT NBR 5665.

Essa norma tem por premissa definir a capacidade da cabina, a velocidade de deslocamento do elevador, tipo de portas e número de elevadores adequado ao empreendimento. São utilizados cálculos matemáticos para estimar esses valores. A partir desses valores são definidos capacidade e intervalo de tráfego (tempo de espera). Observa-se que, para um bom cálculo, é primordial que se saiba o número de pessoas que circularão no empreendimento.

O cálculo para chegar à quantidade de pessoas varia conforme o tipo de empreendimento (residencial, comercial, hospital, faculdade, etc). De modo geral, os estados brasileiros seguem a regulamentação definida pela ABNT. Uma exceção é o estado do Rio de Janeiro que criou uma legislação própria aprimorando a normativa da ABNT no âmbito estadual. Incluiu o intervalo de tráfego em prédios residenciais como parâmetro a ser seguido. 

Em quase 30 anos trabalhando com sistema vertical, já me deparei com muitas coisas erradas nesta área. Já vi profissionais sendo dispensados em função de falha na especificação de elevadores. Também, já presenciei construtoras tendo que indenizar ou mesmo substituir os elevadores por erros no cálculo de tráfego. 

Portanto, para garantir o desempenho satisfatório quanto à mobilidade das pessoas dentro dos edifícios deve ser elaborado um cálculo de tráfego, cujas as premissas são definidas pela Norma Técnica NBR 5665 da ABNT, que tem força de lei.

Caso concreto: Edifício Vila dos Atletas 

Em tempo de Olimpíadas, recordo que um dos trabalhos mais gratificantes que realizei como consultor foi colaborar com o cálculo de tráfego do Edifício Vila dos Atletas, no Rio de Janeiro, que irá acolher os atletas de todo o mundo neste mês de agosto. Além de todos os parâmetros exigidos pela legislação nacional, havia as exigências do Comitê Olímpico Internacional (COI) que encareciam muito o projeto, com um grande número de equipamentos. 

Considerando que o prédio seria disponibilizado para moradia após as Olimpíadas, compreendeu-se que os elevadores não poderiam ser numerosos nem do tipo “supersônico”, pois inviabilizariam a comercialização dos imóveis. Conciliando as exigências locais e do COI com o estudo de tráfego, respeitou-se as características do prédio e dos equipamentos e ajudou todos a economizarem.


Vandilson Alves
 é engenheiro e perito em transporte vertical e escadas rolantes há mais de 25 anos. Atua como consultor de empresas e órgãos públicos para assessoria a projetos, realização de vistorias, inspeções, diagnósticos e perícias. vandilsonalves.engenharia@gmail.com.



 

Tags: Edifício Vila dos Atletas  Estudo de Tráfego de Elevadores  Quantidade de Elevadores  

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