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15/09/2015

Você curte seu passeio?

Por Carla Brayner

PROJETO ALTEROU AS CALÇADAS E GEROU MUITOS QUESTIONAMENTOS

A Prefeitura Municipal de Salvador lançou em janeiro de 2014 o projeto “Eu Curto Meu Passeio”, que estabelece a reconstrução de passeios planos e antiderrapantes, a fim de garantir a acessibilidade e mobilidade da população. Foram muitas mudanças que se tornaram motivo de debate em diversas áreas, principalmente, entre arquitetos e urbanistas.

Com a implantação do projeto, os proprietários de imóveis são notificados para recuperar os passeios, conforme modelo desenvolvido pelos técnicos municipais. A Secretaria Municipal de Urbanismo (Sucom) estabelece um prazo para que cada proprietário faça as adequações necessárias. No caso de não atendimento à notificação, a Prefeitura faz a obra e cobra do responsável o valor gasto acrescido de multa de 30%. 

As pedras portuguesas foram substituídas pelo concreto lavado com instalação de piso tátil, que tem a função de indicar situações de perigo e sinalizar a fluidez para os pedestres com deficiência visual, oferecendo acessibilidade para todos. Mas, de acordo com a arquiteta e urbanista Tanile Pires, o piso tátil não cumpre seu objetivo. “Quando instalado em uma calçada estreita torna-se mais um perigo para os pedestres, que são obrigados a desviar para não tropeçar ou mesmo não enganchar a cadeira de rodas. Além dos postes, árvores, e tampas de instalações pré-existentes, que aumentam o desafio na hora de projetar os passeios, tendendo ao piso tátil desviar-se destes obstáculos. Ou seja, o desenho, a harmonia de fluidez e de fácil entendimento que deveria proporcionar está trazendo implicações e se distorcendo do conceito proposto”, informou Tanile.   

Além disso, de acordo com Tanile, a manutenção das pedras portuguesas pode ter um grau de trabalho maior que o concreto com piso tátil, mas ambos e qualquer outro material também precisará de uma manutenção periódica.

Em vários lugares da cidade havia uma harmonia de desenhos. “Quase que imperceptíveis aos pedestres e aos veículos; brasões, ondas, listras e tantos outros desenhos qualificavam uma cultura local nas calçadas”, disse Tanile.

“É fundamental que o espaço público seja pensado para todos, mas é importante saber como fazer e qual a melhor forma do espaço se tornar acessível. Como urbanista acredito nas múltiplas possibilidades de uma calçada acessível antes de considerar a instalação de piso tátil”, concluiu Tanile.




 

Tags: Calçadas  Legislação  Piso Tátil  

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