13/07/2015

Controle de mosquitos

Por: Carla Brayner


“FUMACÊ” NÃO É A SOLUÇÃO!

O que está sendo feito como prevenção onde você mora? Alguns municípios da Bahia, inclusive Salvador, têm vivido epidemias com o mosquito Aedes Aegypt, transmissor da dengue, febre chikungunya e zika vírus. E todo cidadão deve ficar atento às formas de prevenção. Além das inspeções para identificação, eliminação e tratamento dos criadouros, também devem ser realizadas borrifações químicas com inseticidas.




Foram registrados 43.027 casos de dengue, entre janeiro e nove de junho deste ano, segundo o boletim de situação epidemiológica da dengue, publicado pela Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab). Neste período foram notificados 37.984 casos da doença, transmitida pelo mosquito Aedes Aegypti, 147% a mais que o registrado no mesmo período de 2014, quando foram contabilizados 15.333 casos.

O Ministério da Saúde registrou 1.049 casos confirmados de febre chikungunya, até sete de março, sendo 459 na Bahia. Já a Diretoria de Vigilância Epidemiológica (Divep) da Sesab identificou a ocorrência de 28.962 casos notificados de Zika Vírus em 168 municípios da Bahia, até o dia 17 de junho deste ano. 

Foco

A melhor forma de evitar essas doenças é combater os focos de acúmulo de água, locais propícios para a criação do mosquito transmissor da doença. Porém, é muito importante observar a piscina, que segundo Antonio Coradinho, proprietário da Corágua – Soluções em Piscinas, é uma das vilãs na proliferação dos mosquitos. “Piscinas sem tratamento ou abandonadas com a água totalmente verde e coberta de limos é um potencial vetor de contaminação. O tratamento adequado garante a qualidade da água e afasta qualquer fonte de contaminação. Além da cloração diária, com a manutenção do cloro livre na faixa de 1 a 3 ppm, que elimina qualquer larva do mosquito, outro procedimento  importante é a filtração diária, que evita a fixação dos ovos dos mosquitos”, completa Coradinho. 



Outro ponto importante são as piscinas sem uso. “A melhor solução, se não puder esvaziá-las, é colocar uma capa de proteção fixa, pois a obstrução da luz solar diminui o efeito da proliferação orgânica. Adicionando pastilhas de cloro à água da piscina, já coberta com a capa, cessa quase na totalidade esta proliferação”, finaliza Coradinho.

Prevenção

Muitos síndicos contratam o serviço de “fumacê”, o que na maioria das vezes não resolve o problema. “A passagem da fumaça inseticida não deixa protegida a área tratada. Nesta linha de pensamento não se lembram dos ovos, larvas e pupas, depositados na água parada que estão prontos para virarem formas voadoras, cujo raio do fumacê não atinge. Pesquisas já comprovaram que em recipientes secos que abrigam ovos depositados pela fêmea do Aedes, quando novamente enchidos com água, podem desencadear novo criatório após vários meses”, informa Danilo Roriz, médico veterinário, consultor em controle de pragas urbanas e diretor da Saniprag.

Grande resistência dos mosquitos aos venenos, aplicações que não atingem todas as áreas, autonomia de vôo de quilômetros no caso da muriçoca comum e uma grande oferta de água parada, pronta para servir de criadouro, são os ingredientes que dificultam o controle. “Ainda que uma aplicação num determinado condomínio eliminasse todos os pernilongos voadores em um dia, durante a semana novos insetos viriam voando de áreas vizinhas ou nasceriam de água parada em focos no próprio condomínio ou em suas redondezas”, explica Roriz. 

Portanto, para se obter um resultado mais eficiente, os focos de água parada devem ser eliminados ou tratados. “A água sanitária é 100% eficiente para destruir ovos e larvas e no caso de empresa controladora de pragas devem usar larvicidas profissionais nos focos em visitas permanentes. Este trabalho de casa em casa já é realizado pelo Programa de Controle da Dengue, mas, pode ser intensificado em contrato com desinsetizadoras”, disse Danilo. 

Outra polêmica no controle envolve o tipo de aparelho utilizado. E segundo Danilo, a técnica chamada de “Fumacê” na verdade é defasada e foi substituída pela “UBV” há mais de dez anos pelos centros de referência, pois se aplica microjatos de spray inseticidas quase imperceptíveis no ar.

Alguns síndicos acham que quanto mais fumaça melhor, porém, estudos da Organização Panamericana de Saúde prova o contrário: utilizando os mesmos inseticidas nos dois tipos de máquinas, a técnica do “UBV” obteve mais que o dobro de eficiência na mortalidade dos mosquitos em área urbana. 

“A forma voadora destes insetos é apenas uma das fases do ciclo e a água parada é a principal causadora da infestação no condomínio, assim sendo, a busca por criatórios deve ser a fundamental medida no controle da infestação. Então, se este cuidado já é tomado e se optar em contratar um serviço de fumacê, que se faça com aparelho UBV, com acompanhamento do responsável técnico da empresa e sempre que possível numa ação conjunta com a vizinhança. Lembrando sempre certificar se a controladora tem alvará da Vigilância Sanitária e profissional responsável técnico devidamente registrado em seu órgão de classe”, conclui Danilo Roriz.




 

Tags: Aedes Aegypt  Chikungunya e zika  Epidemia de dengue  

Comentários

Cadê o Síndico é uma realização da Editora União Salvador LTDA.

Travessa Francisco Gonçalves, 01, Edf. Reitor Miguel Calmon, Sl. 303
Comércio - CEP:40.015-090 71 3242-1084 / 3491-0710